Tudo começou com as histórias que minha prima Ilze me contava e
interpretava. Ela aproximava de mim o mundo mágico das história de fadas, se vestia de
acordo com o personagem de quem falava e me fazia sonhar, imaginar, voar no mundo
literário. Com ela aprendi a ler sem precisar de um livro, a imaginar como se fizesse
parte da história.
Ler sem saber ler, foi assim que aprendi a buscar na leitura o mundo, as
pessoas, descobrindo quem eu era e para onde estava indo. Além da leitura ao vivo aprendi a cantar as músicas das fadas e assim
comecei a sentir a melodia da vida em toda sua grandiosidade.
A leitura musical veio mais tarde através do violão clássico, na pauta ia
além sentindo a riqueza dos compositores e suas melodias. A criatividade e a busca constante me fizeram participar desse contexto
maravilhoso chamado "VIDA". A leitura nos faz seres melhores, mais preocupados com os outros e
consequentemente com nós mesmos. Rubem Alves diz "o escritor nos oferece seu sangue e sua carne", e assim
comungamos suas idéias e sentimentos nos tornamos quase a mesma "Pessoa" ou seus
heterônimos.
MARIA DA PENHA DE ABREU ORLANDO
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