"O CONVITE"
Certo
dia como todas as manhãs no horário determinado o celular tocou...,
acordei, sentei na cama, levantei, fui ao banheiro, tirei o pijama,
coloquei a roupa para trabalhar e, ao abrir a porta deparei-me com um
homem caído na soleira.
Como não sabia
de quem se tratava, não dei muita bola e tão pouco me preocupei, mas
pensei comigo: “ Deve ser algum bêbado! Coitado! Deve ter
passado a noite toda no bar e quando o dia amanheceu não conseguiu
voltar para casa”.
Ao chegar do
trabalho, deparei-me com um convite para um velório bem na minha porta.
Fiquei curiosa; como esse convite foi parar na minha porta e por que? O
nome do defunto me era desconhecido, bem como de seus familiares.
Decidi ir até o velório e investigar de quem se tratava.
Chegando lá, encontrei tudo no mais perfeito silêncio; somente o defunto me aguardava.
Que estranho, pensei!
Fui
até o caixão e olhei para o desconhecido. Levei um susto enorme! era o
homem que eu tinha encontrado caido na minha soleira. Ele estava vestido
de terno preto muito simples e com o caixão enfeitado com margaridas
brancas.
Quem seria? Do que morrera? Como vivera? Fora um homem bom? Justo? Honesto? Não sabia e não havia ninguém que pudesse me dizer!
Fiquei ali algumas horas, mas ninguém apareceu. Comecei a ficar apavorada; pois já se aproximava a hora do enterro.
Continuei ali olhando para o morto, perdida em meus pensamentos.
De repente: chega o rapaz da funerária. E agora?!
- A senhora era parente do Pedro?, perguntou-me o rapaz.
- Não, respondi. Não o conheço e contei-lhe o estranho caso do convite na minha porta.
- Estranho, respondeu-me ele.
-
Não havia convites me informou o rapaz. Este senhor é muito pobre e sem
família. A prefeitura está pagando o enterro. Nós viemos para levá-lo,
pois está na hora.
Acompanhei o desconhecido até sua última morada. Somente eu, os funcionários da funerária e do cemitério...
Fiz-lhe
uma oração, joguei-lhe um punhado petalas de flores e segui caminho
para minha casa depois de um misterioso e inusitado dia.
DANIELE
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